No dia do enterro de Étienne, Claire achou que já tinha sentido a maior dor da sua vida. Mas, ao voltar para casa com os filhos debaixo de uma chuva fria, encontrou os sogros bloqueando a porta.
Gérard segurava as chaves. Monique a olhava como se ela fosse uma estranha.
— Vocês não moram mais aqui — disse ele.
Claire abraçou Camille. Lucas, de dezesseis anos, tentou defender a mãe.
— Essa casa também é dela!
Gérard deu um tapa no rosto do menino. Em seguida, Monique arrancou a aliança do dedo de Claire, dizendo que a joia pertencia à família Morel.
Claire não discutiu. Voltou para o carro, abriu o porta-luvas e encontrou o envelope que Étienne havia lhe entregado antes de morrer.
Dentro havia uma carta e vários documentos.
Étienne tinha previsto tudo. A casa estava legalmente no nome de Claire. Outra propriedade perto do lago também era dela. As cotas da empresa estavam protegidas para ela e para as crianças.
Claire ligou para a doutora Delmas.
Uma hora depois, a advogada chegou com um oficial de justiça. Gérard e Monique foram obrigados a devolver as chaves, a aliança e o anel. A tentativa de expulsão foi registrada, assim como a agressão contra Lucas.
Algumas semanas depois, os sogros perderam qualquer direito sobre os bens de Étienne. A casa continuou sendo de Claire e dos filhos.
Na primeira noite em que voltaram a dormir ali, Camille colocou uma foto do pai perto da janela.
— Papai protegeu a gente — sussurrou.
Claire sorriu entre lágrimas.
Sim. Mesmo depois de partir, Étienne cumpriu sua última promessa.