História
Quando a empregada colocou a conta de 132 400 rublos sobre a mesa, Galina Ivanovna empurrou-a na direção de Lena.
— Agora é a tua vez.
Trinta familiares ficaram em silêncio, à espera de que Lena pagasse.
Naquela manhã, o marido, Anton, garantira-lhe que seria apenas um jantar modesto para cinco pessoas. Tinham até preparado 15 000 rublos como presente. Mas, ao chegarem, Lena encontrou um restaurante de luxo, champanhe importado, caviar e dezenas de convidados.
— Nós não combinámos isto — disse ela. — Cada um paga o seu.
A sogra ficou indignada.
— O Anton disse que vocês pagariam tudo! Os filhos devem fazer sacrifícios pelos pais!
Anton evitou olhar para a mulher.
— Paga agora, Lena. Tens limite no cartão. Depois resolvemos.
Foi então que Lena abriu a aplicação do banco.
Durante três anos, o casal tinha juntado 250 000 rublos para a entrada de um apartamento.
Restavam 1 450.
— Anton… onde está o nosso dinheiro?
Ele empalideceu.
Acabou por admitir que tinha usado as poupanças para pagar o sinal do restaurante, o vestido novo da irmã e outras despesas da festa.
— Eu sabia que não ias concordar — justificou-se.
Lena ficou alguns segundos em silêncio.
Depois chamou a empregada.
— Quero pagar apenas a minha salada e a minha água.
Deixou duas notas sobre a mesa, pegou no casaco e levantou-se.
— E a conta do banquete? — perguntou a funcionária.
Lena apontou para Anton e para a sogra.
— É deles.
Galina Ivanovna quase gritou:
— Ele não tem dinheiro!
— Então talvez devessem ter pensado nisso antes de gastar o meu.
Lena saiu do restaurante sem discutir mais.
Na manhã seguinte, Anton regressou a casa furioso. Para pagar parte da conta, a mãe tivera de usar as suas próprias poupanças e Marina devolvera o vestido. O restante ficara como dívida de Anton.
Ele exigiu que Lena o ajudasse.
Em vez disso, ela colocou sobre a mesa uma pasta com documentos.
— O que é isto?
— O extrato da conta e o pedido de separação das nossas finanças. E isto é o contacto de um advogado.
Anton ficou sem palavras.
Lena não terminou o casamento por causa de um jantar caro.
Terminou-o porque percebeu que o homem em quem confiava tinha roubado três anos de esforço e ainda esperava que ela pedisse desculpa por se recusar a pagar.
Meses depois, Lena voltou a começar a poupar.
Desta vez, numa conta apenas em seu nome.
E descobriu que perder dinheiro doía muito menos do que continuar a viver com alguém que acreditava ter direito a gastá-lo sem perguntar.