— Tu percebes o que fizeste?! — a voz da senhora idosa ecoou por todo o corredor do escritório.
Alexei ficou imóvel. À sua frente estava a mãe, Vera Pavlovna, que quase nunca se metia nos assuntos da empresa. Ao lado, de braços cruzados, a nova diretora financeira, Marina, observava em silêncio.
— Mãe, isto é uma questão de trabalho — disse Alexei, irritado. — Despedi uma simples empregada de limpeza por violar as regras.
Vera Pavlovna empalideceu.
— Uma simples empregada?
Naquela manhã, Alexei tinha assinado a demissão de Nina, uma senhora que trabalhava ali há vinte anos. Marina garantira que ela andava a mexer em documentos e tentara roubar papéis confidenciais. Alexei não investigou. Acreditou nela.
— Se a Nina pegou em documentos, foi porque tinha uma razão — disse a mãe.
Marina sorriu com desprezo.
— Desculpe, mas idade e anos de serviço não dão direito a roubar.
Vera Pavlovna virou-se de repente para ela.
— E falsificar faturas dá?
O sorriso de Marina desapareceu.
A mãe tirou uma pasta da mala. Nina não estava a roubar nada. Há semanas que via Marina destruir relatórios financeiros à noite. Por isso, juntou provas de transferências milionárias para empresas falsas.
— Ela veio ter comigo ontem — disse Vera Pavlovna. — Tinha medo de que voltasses a acreditar num fato caro, em vez de ouvires alguém que salvava esta empresa desde o tempo do teu pai.
Marina tentou sair, mas os seguranças já vinham pelo corredor.
Uma hora depois, Alexei foi pessoalmente à casa de Nina.
— Vim devolver-lhe o emprego — disse ele.
Nina olhou-o em silêncio.
— O emprego pode ser devolvido. A confiança é mais difícil.
No dia seguinte, Alexei pediu-lhe desculpa publicamente diante de toda a empresa e nomeou-a responsável pelo controlo interno.
Marina acabou sob investigação.
Só então Alexei entendeu: a pessoa mais perigosa no escritório nem sempre usa uniforme barato. Às vezes usa um fato caro e sorri com mais confiança do que todos.