Depois de perder a mulher e a filha de cinco anos, Sophie, Nathan Cole deixou praticamente de viver fora do trabalho.
O bilionário jantava sozinho todas as noites e ninguém tinha autorização para se sentar na cadeira que pertencera à menina.
Até ao dia em que Rachel, uma das empregadas da casa, teve de levar consigo a filha de três anos porque a babysitter cancelou à última hora.
Ao encontrar Nathan sozinho à enorme mesa, Ellie fez uma pergunta inocente:
— Posso comer consigo?
Rachel ficou em pânico quando percebeu que a menina estava junto da cadeira de Sophie.
Mas Nathan surpreendeu-a.
Puxou a cadeira para trás e disse:
— Podes sentar-te.
Durante o jantar, Ellie reclamou do feijão-verde, esmagou o puré de batata com a colher e conseguiu algo que ninguém fazia há dois anos: pôr Nathan a rir.
Depois perguntou:
— Tinha uma filha?
Nathan respirou fundo.
— Tinha. Chamava-se Sophie.
— Ela era simpática?
Antes que ele respondesse, Ellie tentou tirar um guardanapo do bolso do vestido. Um pequeno objeto prateado caiu no chão.
Nathan olhou para ele e ficou completamente imóvel.
Era uma pulseira infantil.
Numa pequena medalha estava gravada a letra “S”.
Ele apanhou-a com as mãos a tremer.
— Onde arranjaste isto?
Rachel explicou que, meses antes, comprara uma caixa de roupa infantil numa venda beneficente. A pulseira estava entre os vestidos e Ellie tinha começado a levá-la para todo o lado.
Nathan virou a medalha.
No verso havia uma frase minúscula:
“Sophie. A estrela do papá.”
Era a pulseira da filha.
Tinha desaparecido depois do acidente.
Nathan levantou-se tão depressa que Rachel pensou que ele estava zangado. Sem dizer nada, saiu da sala.
Minutos depois, regressou com os olhos vermelhos.
— Desculpem — murmurou. — Durante dois anos tentei afastar tudo o que me lembrava dela. E hoje uma menina entrou nesta sala e trouxe uma parte da minha filha de volta.
Ellie colocou a pulseira na mão dele.
— Então deve ficar consigo.
Nathan ajoelhou-se diante dela.
— Obrigado.
Aquela noite não apagou a dor nem substituiu a família que Nathan perdera.
Mas mudou alguma coisa dentro dele.
A partir daí, deixou de tratar a casa como um mausoléu. Abriu novamente as cortinas, começou a receber o irmão e até voltou a jantar acompanhado.
E todas as sextas-feiras, Rachel e Ellie ficavam para jantar.
A cadeira de Sophie continuou no mesmo lugar.
Mas deixou de representar apenas perda.
Passou também a lembrar Nathan de que continuar a viver não significava esquecer quem amara.