Adrian tinha preparado a sala de jantar para doze convidados. Os copos de cristal brilhavam sob os candelabros, as velas ardiam junto às rosas brancas e a neve cobria o jardim da antiga propriedade da família.
Tudo devia ser perfeito.
Mas, dez minutos antes da chegada dos convidados, a porta principal abriu-se.
Uma mulher entrou com um casaco branco de inverno, a neve a derreter nos cabelos escuros. Ao lado dela estavam duas meninas gémeas, pequenas, assustadas, segurando-lhe as mãos.
Adrian ficou sem respirar.
— Clara? — sussurrou.
Não a via há cinco anos.
Clara baixou os olhos.
— Desculpa aparecer assim. Mas elas quiseram conhecer-te.
Adrian olhou para as meninas. Uma tinha os olhos da mãe dele. A outra tinha a mesma covinha que ele via todas as manhãs ao espelho.
— Não… — murmurou. — Isto não pode ser verdade.
Clara tirou um envelope gasto do bolso e colocou-o sobre a mesa.
— O teu pai pagou-me para desaparecer. Disse-me que sabias da gravidez e que não querias saber de nós.
Adrian abriu o envelope com as mãos trémulas. Lá dentro havia uma cópia de uma transferência bancária e uma carta assinada pelo próprio pai.
Nesse momento, vozes chegaram do corredor.
Os pais de Adrian entraram sorrindo, vestidos para o jantar. Mas o sorriso do pai desapareceu assim que viu Clara e as crianças.
A sala ficou em silêncio.
Uma das meninas aproximou-se de Adrian e perguntou baixinho:
— És o nosso papá?
Os olhos dele encheram-se de lágrimas. Adrian ajoelhou-se diante das duas, segurou-lhes as pequenas mãos e respondeu:
— Sim. E devia ter sabido de vocês desde o primeiro dia.
O pai tentou falar, mas Adrian levantou-se e olhou-o com frieza.
— O jantar está cancelado. Amanhã, os meus advogados tratam do resto.
Naquela noite, os doze lugares luxuosos ficaram vazios.
Mas, no fim da mesa, Adrian sentou-se com Clara e as suas filhas. Não houve festa perfeita, nem discursos, nem convidados importantes.
Houve apenas uma família finalmente reunida, depois de cinco anos de mentira.